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11 de novembro de 2013

A COR DO SÍMBOLO

Proserpina
Dante Gabriel Rossetti, 1874
Tate Britain, Londres


Mas la granada es la sangre,
sangre del cielo sagrado,
sangre de la tierra herida
por la aguja del regato.
Sangre del viento que viene
del rudo monte arañado.
Sangre de la mar tranquila,
sangre del dormido lago.

Canción Oriental | Federico García Lorca, 1920



Qual é a cor predominante do fruto d'A Sacerdotisa?

O segundo arcano maior é uma imagem de grande poder no Tarot. A Mãe Celestial. Pudica, permanece prostrada entre as colunas mais famosas de toda a literatura esotérica — B e J, o chiaroscuro dos dentros. Madame da polaridade, senhora do presságio. Shekinah, misticamente falando. The higher and the holiest of the Greater Arcana, segundo o próprio Waite. Claro que todos os arcanos são fortes em suas potencialidades simbólicas, é sabido. Confesso que A Sacerdotisa é uma das minhas figuras arquetípicas prediletas. Precedendo A Temperança e A Força, é a feiticeira mais poderosa do círculo, justamente por sustentar as colunas do mistério. Oráculo em carne e espírito. Diáfana. Noiva-enigma do mundo. Musa impassível [feito o mármore de Brecheret].

Dentre os ornamentos clássicos mais inquietantes, vejo eu, está a cortina em The High Priestess de Arthur Waite, concebida pela genial Pamela C. Smith. Não simplesmente por ocultar o mar às suas costas, mas principalmente pela estampa do tecido — uma tapeçaria ornamentada de romãs.


The High Priestess | Waite-Smith Tarot
U.S. Games Inc.

Romã no quintal. Romã no própolis. Romã nos livros.
Romã nas lembranças da avó. Romã nas pinturas. 
Romã nos oráculos. 
Romã na poesia. Romã nos sonhos. 

Romã. Escrever sobre.
Entendi.



Sofiko Chiuareli | The Colour of Pomegranates, 1968



A Musa do cartomante é a analogia 

Sempre que revejo A Cor da Romã [1968], meu filme-poema predileto do armênio Sergei Paradjanov sobre as vidas e as mortes de Sayat Nova, um trovador do século XVIII, me certifico da importância do estudo simbólico. Do ritual da imagem e do conceito, por assim dizer. A predisposição à pesquisa e à prática com absoluto cuidado e alguma demora. Uma performance exemplar durante a leitura do oráculo requer alimentação artística e histórica constante.

Letramento, interesse, disposição. Fúria. Assim, embriagado pela beleza do simbolismo bizantino temperado com magia poética, reuni alguns baralhos e comecei a garimpar a presença da infrutescência na simbologia arcana. Já via A Maga do Crescente Lunar na minha mente quando então passei aos outros arcanos até chegar em The Empress, do mesmo Rider-Waite Tarot: Vênus que veste as romãs. The fruitful mother of thousands. Daí para lembrar do famigerado Tarô Mitológico foi um pulo: estamos entre Mulher e Donzela, com o ventre de vastos códigos e significados.


Perséfone e Deméter
The Mythic Tarot
Fireside, 1986.

A única filha de Zeus com Deméter era agraciada pelos deuses. Koré, a virgem cuja beleza cintilava a ponto de suscitar o desejo de Hades: desposá-la, mesmo que sem o consentimento da mãe. Assim concedeu Zeus o pedido de seu irmão que, impaciente, a raptou enquanto colhia narcisos. Deméter, inconsolável, passou a se tornar cada vez mais relapsa em suas funções. Trouxe a esterilidade aos campos ao rarear os alimentos, suspendendo o ouro dos trigais. Enquanto isso, no Hades, Perséfone rebelava-se com uma greve de fome, logo começando a enfraquecer. Temerosos pela reação de Deméter, os deuses recusavam-se a revelar o paradeiro de sua filha. Depois de uma longa jornada, descobriu que a jovem deusa havia sido levada às profundezas. Decidida a manter a escassez na terra enquanto não reavesse Koré, a mãe é atendida por Zeus, que ordena ao irmão a devolução de sua filha. Porém, tendo a garota provado das sementes de romã dos campos de Hades, conclui-se que ela não havia rejeitado com veemência o seu raptor. Quebrar o jejum com um fruto do submundo significava prender-se a ele. Criou-se um elo, já que Hades de fato seduziu Koré pela doçura de suas sombras. Concedeu à esposa os caminhos ocultos por meio da infrutescência. Assim, estabeleceu-se um acordo entre as famílias: ela passaria uma parte do ano com sua mãe e uma outra com Hades, tornando-se Perséfone, a dos olhos negros. Regula, ao lado de Deméter, os ciclos de cada ano. A vida que brota e fenece. A fertilidade e também a esterilidade da terra.

Perséfone e Hades banqueteando.
Atenas, 440-430 a.C.

Brincando de bibliomancia enquanto relia o delicioso As Núpcias de Cadmo e Harmonia, caí na página do rapto, tecido com tanto esmero por Calasso: Core, a pupila, estava portanto no umbral de um olhar em que teria visto a si própria. Estava estendendo a mão para colher aquele olhar. Mas irrompeu Hades. E Core foi colhida por Hades. Por um instante, o olhar de Core teve de desviar-se do narciso e encontrar-se com o olho de Hades. A pupila da Pupila foi acolhida por uma semelhante, na qual viu a si própria. E aquela pupila pertencia ao invisível.



As sementes quando são desveladas

Sofiko Chiuareli | The Colour of Pomegranates, 1968
















Nem todos os mistérios que encerram a romã estão no papel. Até porque o exercício visual é necessário. Sempre. Percebe-se, com absoluta atenção aos detalhes, que no arcano II as romãs estão atrás da figura principal, enquanto que no arcano III, o fruto está sobre a figura — envolto em seu corpo. É nítido que A Sacerdotisa não indica necessariamente nem gravidez nem esterilidade, já que encarna a virgindade, persona casta que preserva seus mistérios e segredos. Inaptidão sexual. Desconhecimento ou silêncio dos próprios desejos. Já n'A Imperatriz, discretamente as romãs saltam aos olhos, confirmando os sintomas clássicos de prosperidade. Na primeira, o potencial [de sexualidade e fertilidade]; na seguinte, a latência. 



A Sacerdotisa e A Imperatriz
Waite-Smith Tarot | US Games Inc.




É do rastro de Afrodite, no Chipre, que nasce a romã. A primeira dádiva de seus passos. A composição carnosa da planta passa a ser associada à vagina, à condição intrínseca de fertilidade. Um estimulante — o afrodisíaco primordial. Em meio ao caos dos fragmentos míticos, o pomo púnico acaba se conectando à Maria [e à Igreja, já que a profusão de sementes representa a união, os fiéis em torno de Cristo, a vida que pulsa]. Em algumas catedrais e museus, principalmente na Itália, a representação se mantém. La Vergine. La Madonna della Melagrana. Nem todos os mistérios estão no papel mas também nos caminhos cíprios. Nas artes. Nos próprios mistérios. Artefato. Víscera da Musa.


Sandro Botticelli | Madonna della Melagrana, 1487.
Galleria degli Uffizi, Firenze, Itália.

La Papisa prepara una eclosión. Espera que Dios venga a inseminarla. Me lembro bem de Jodorowsky falando do processo de incubação do segundo Arcano Maior. Se ela pode traduzir-se como gestação, na próxima carta numerada temos o afloramento. Nasce e desenvolve-se o fruto. E James Frazer, famoso historiador entre os adeptos da Bruxaria, propõe Deméter como a colheita madura do ano enquanto Perséfone encarna a semente. A catábase de Koré seria uma expressão da semeadura. Seu reaparecimento então significaria o despontar do novo cereal. Assim, a Perséfone de um ano seria a Deméter do seguinte. Parir associações, sempre com o devido cuidado, faz com que as cartas tenham ainda mais sentido quando colocadas em evidência. O êxtase da leitura é a performance do olhar. Teoria e prática num ramo [de ouro e narcisos] bem consistente.




Uma descida aos infernos (da imagem)

Sofiko Chiuareli | The Colour of Pomegranates, 1968















Gosto de jogos imagéticos. Dos véus. Hologramas. Tanto que agora, descobrindo o Petit Lenormand, as combinações tem sido uma divina diversão. São feitiços. Pelo fato de nem sempre serem percebidos a olho cru, tonificam a voz do oráculo. A capacidade de versificar as figuras e compor um poema cada vez mais bonito e rico de significado. Interpretação de símbolos. E confesso que faço cara de origami quando me dizem que gostam da 'facilidade' que o Tarô Mitológico proporciona [ainda vigora esse tipo de argumento], mesmo que não consigam fazer dos mitos ali encarnados apenas uma sugestão à compreensão do arcabouço em vez de lindas, rápidas e definitivas roupagens aos arcanos, que por sua vez existem e significam por si próprios; como se o símbolo fosse um organismo hermeticamente exato e indiscutível a ponto de se sobrepor ao que o arquétipo cansa de caracterizar. Mas gosto de jogos imagéticos, gosto mesmo. E se às vezes vejo Perséfone n'A Papisa, devo ter toda uma bagagem de pesquisa para apropriar minhas impressões e constatar possíveis associações. Sair dizendo que a mulher n'A Estrela aparece nua porque está debilitada devido à destruição d'A Torre soa tão taxativo quanto absurdo. Mas este é um outro caso.

Faço de conta que uso o Tarô Mitológico e sorteio A Sacerdotisa numa leitura sobre o paradeiro de algum objeto, pessoa ou animal. Devo dizer que o elemento procurado se encontra abaixo de uma escadaria escura? Não, não necessariamente. Mas preserva-se a ideia de oculto, escondido, praticamente inalcançável a olhos nus — o Hades é o invisível que está ali, não?

As cores das Musas
instagram.com/leochioda


Uma ode ao bom senso. Um hino homérico. Os degraus infernais de Greene e Sharman-Burke são uma novidade simbólica, mesmo que a ideia de ocultação, mistério, perda e desencontro mantenha A Papisa guardando seu templo, reino tão rico em segredos. Ou nas alturas do Capitólio presididas por Juno, rodeada de pavões e romãs, uma representação alternativa do arcano. Também Hera, a grega, vivendo suprema em suas longas vestes de romã. Me lembro, aliás, das estátuas no Museo di Paestum, na Itália: a matriarca do Olimpo segurando uma criança e a fruta sagrada kourotrófos, aquela que nutre. Inatingível aos que não se permitem enxergar [o] além. E é a partir do mergulho nos ornamentos e atributos, sempre respeitando e preservando a estrutura clássica do conjunto de cartas, que posso vislumbrar os véus de Perséfone no segundo arcano maior. Até mesmo usando um Marselha.



A romã d'A Sacerdotisa
El Gran Tarot Esoterico | Fournier, 1978

Que haja coerência, portanto. Não só simbólica, respeitando cada sistema [astrologia é astrologia, mitologia é mitologia e tarô é tarô, mesmo que possam dialogar entre si], mas também interpretativa. E que os mitos, os dicionários de iconologia e as referências folclóricas sejam ingredientes à compreensão e à fortificação do poder de analogia dos símbolos. Não verdades inquestionáveis proferidas pelas bocas do achismo nem bengalas para se entender a dinâmica dessas imagens há tanto plasmadas em nossa cultura. Apenas afrodisíacos disponíveis para refletir o poder dos símbolos. As cores de cada um deles diante das mil faces da analogia.


O poeta morre, mas não a sua Musa, deixou o armênio Sayat Nova em um dos seus versos. E qual é a cor do símbolo? Pesquisa, fúria, atenção e qualidade. O sangue da excelência, vertido de todo árduo submundo. Só assim para que haja luz sobre todas as tonalidades de nossas cartas e palavras.


L.


The Colour of Pomegranates, 1968



Os livros no colo
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

CALASSO, Roberto. As Núpcias de Cadmo e Harmonia. Companhia das Letras, 1991.
FAUR, Mirella. O Legado da Deusa. Rosa dos Ventos, 2003.
GRAVES, Robert. O Grande Livro dos Mitos Gregos. Ediouro, 2008.
LAO, Meri. Musica Strega. Edizione delle Donne, 1977.
LORCA, Federico García. Poesía Completa. Galaxia Gutenberg, 2011.
SHARMAN-BURKE, Juliet. Os Segredos do Tarot. Editorial Estampa, 1998.

5 de outubro de 2012

O GRANDE MOMENTO DA VIDA


Mas não sou abençoada nem misericordiosa. Eu sou o que sou. 
Tenho um trabalho a fazer. E o faço! 
Escute: enquanto conversamos, estou lá fora buscando velhos e jovens, inocentes e culpados, 
os que morrem juntos e os que morrem sozinhos. 



É engraçado, mas, em dias bons, não penso muito nela. A cantora Tori Amos começa assim o prefácio de MORTE, deliciosa coletânea de histórias de Neil Gaiman (VERTIGO, 1997) protagonizadas pela segunda mais velha figura dos Perpétuos. O número do azar na sorte da Estrada Real. Arcano sombrio. A Ossuda. 13.


Talvez seja impraticável pensar nela com alguma demora e gravidade, a menos que seja iminente sua presença. Não se fala sobre A Inominável. Sempre causa desconforto. Se você já foi a um velório, me entende. O mórbido incomoda. Talvez justamente por ninguém saber ao certo como é o ambiente pós-passagem – me perdoem os visionários e religiosos convictos, mas o Mistério se mantém. Há vislumbres. Experiências indizíveis que tornam ainda mais valorosa sua contraparte, essa tal Vida. O estar aqui [ainda]. No Tarô, o décimo terceiro Arcano Maior trabalha por procuração. Ininterrupta. Geralmente horrenda, como manda a Peste iconográfica. Aparição temida. Pior é quando se pede o caráter de alguém e surge a Nefasta: aí tem, e o que tem não é brinquedo. Mas curioso é passear pela carta celeste pessoal e se deleitar com os infernos. Sim, estou falando de Astrologia. Digo suspirando que visito minhas Luas e alimento meus Escorpiões. Meu mapa tem [vários] tons de underground que me permitem transitar pelo negro com relativa harmonia. O macabro pode ser poético se houver cuidado e intuição. Convém lembrar de Saturno, que colabora com o verbo ceifar. Inerência. Já mapeou-se? E aonde fica o seu submundo? 


Relendo Death, de Frieda Harris.
Aleister Crowley Thoth Tarot | AG Müller, 1986.

Nas cartas de papel, voltando ao nosso oráculo visual do mundo, confesso ter um apreço extra pela Indesejada. A anatomia que Frieda Harris imprime é fascinante. Os bichos de baixo são importantíssimos. Manjar de peçonha para celebrar nossas catacumbas. Já Waite e Pamela Smith suscitam humor negro com a figura religiosa implorando por clemência. E causam ternura pela garotinha oferecendo flores ao cavaleiro negro. Inocência. Eis o grande momento da vida. Não há risco a cada passo? Sim, há. Riso também.


DEATH, poesia visual de Pamela Colman Smith.
Rider-Waite Tarot | US Games, 1971.


HADES EM MINIATURA

Morte é uma lição de escuridão. Já desmaiou? Eu já, e é estranhíssimo. Falei nos vislumbres e lembrei que sempre relacionei o morrer à síncope, que no grego súgkopê significa 'corte, fragmentação em pequenas partes'. Pequenas mortes? Só sei que a experiência é o cúmulo do conforto, pelo menos até o momento em que se emerge desse sono divino. Dói voltar. Thánatos, do gênero masculino no mesmo idioma, é irmão de Hipno, o próprio sono. Significa 'dissipar-se, tornar-se sombra'. Etimologicamente, cavalgamos até equívocos e inovações que nos fazem chegar a 'morrer' no sentido de 'ocultar-se'. Ser como a sombra. Esquecemos [ou não nos damos conta] de que na Grécia o morto era eidolon, um retrato de brumas. Insubstancial. Tecido projetado do que um dia respirou. Simulacro. 




Mas veja, o que interessa aqui é a descida. Morte, numa leitura intimista [como se houvesse alguma que não fosse], nos faz um convite à catábase. Coisas a serem revistas, repensadas, reorganizadas, rechaçadas. De simples a Jornada do Herói só tem o roteiro. Inenarrável quando se fala do Vale de Sombras; um presente sempre diferente. A floresta negra sempre se bifurca. Chama e engole. Degrau a degrau, até o fundo. Daí o questionar de cada instante e atitude. Momentos memoráveis aqueles em que a foice vem rente aos olhos. Alerta vermelho à crisálida. A limpeza da alma deveria passar pelo porão. É a lâmina que extirpa o negativo e o regressivo ao mesmo tempo em que nos libera. 

O que te mata, te fortalece [o espírito]. Esquecemos do poder de renegeração, ainda mais que o termo transformação continua sendo moda nas casas e publicações esotéricas. E aí o palpável também fica no escanteio: morte é símbolo. Coisas morrem, sentimentos. Falta uma didática do perecível, não acha? Cada dia passa com mais coisas abarrotando armários.  A Ceifeira sorri a todo e qualquer desapego, tenho certeza. Deixar apodrecer é tão divino quanto criar. Morte é oportunidade, não um fim em si. Nos abre portas, por mais difícil que seja cruzar o reino de baixo. Negligenciamos a riqueza do deus temido; Plutão, aqueles que poucos cultuavam e que rege as mais belas sagras. O que reluz brota do breu. Símbolos complexos ao longo das eras. Valiosos a toda e qualquer existência significativa. Faz valer a concepção da soberana que porta a vida: Não tem Death como adereço primordial o ankh no pescoço? Não determina nada, apenas faz o seu papel. Gentileza contida. Amor concentrado. Mors ianua uitae. Parteira na escuridão. 




The Sound of Her Wings, em The Sandman: Preludes & Nocturnes. 
Vertigo, 1995.

Embora seja o hades um univeso em si, Neil Gaiman não fornece coordenadas geográficas precisas sobre os domínios de Morte. Gênio. Assim deve ser. Em algumas histórias paralelas, quando encarnada [a fim de sentir melhor seu ofício], administra um apartamento bagunçado, mas nada proporcional ao reino de Morpheus, aos jardins infinitos de Destino ou as salas lúgubres de Desespero. Nem ao antro de arco-íris, peixinhos cantores e sofás de caramelo de Delírio. Mas o engraçado mesmo da nossa girl next door é que todo mundo a imagina de alguma forma, que logo se esvai. Antropomorfa, mas volátil. Par a par com o Diabo, cada dia mais diáfano. Forças, nem sempre personificações. 


O QUE SE LEVA DESSA VMIODRATE



The Universe is Change; every  Change is the effect of an Act of Love; all Acts of Love contain Pure Joy, tece crowley em seu Book of ThothPois é, guarde bem: A Morte, Arcano Sem Nome, prescreve o enigma no clichê: aproveite sua vida, ela é o grande momento. Aproveite com [todo o] amor: Eros é tão visceral quanto Thanatos. A parteira, a última a morrer, pode esperar. Intermitente. Haverá sempre o encontro marcado com cada um. E então a dança.  Terrível e linda em proporções aproximadas. E já que todo eufemismo é mero conformismo, todo mundo a concebe.  E o melhor é que, cedo ou tarde, todo mundo a descobre. Cheiro de flores brancas ou chama azul no canto do olho. Plural e única. Certa.



Death | The Vertigo Tarot.
Dave McKean. DC  Direct, 2001

http://instagr.am/p/QZ-TLhB_FP/

Mesmo em dias muito bons, penso um tanto nela. Engraçado.
Só sei que este ensaio nunca nasceu, mas sempre esteve aqui. Tal qual ela, atenta. Vai dedicado à minha irmã mais velha amiga Giane Portal, oráculo Vertigo indiscutível, que esteve comigo enquanto lia toda a jornada de Sandman – tipo Death acompanhando Dream pelos reinos e praças, alimentando os pombos. Permeia o acaso objetivo, se penso em Breton. What are you doing? Harmonia existencial. Supercalifragilisticexpialidocious! E vem às vistas justo agora que Saturno entra em Escorpião.

Curiosamente.



Die daily,


L.