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20 de novembro de 2018

ENTREVISTA COM O ORÁCULO


Tem sido cada vez mais frequente, em blogs de entusiastas e tarólogos profissionais de língua inglesa, a prática da entrevista de um baralho. Seja ele novo ou velho, a medida é interessante para medir o potencial do Tarot que nos chega em mãos. 

Eu compro baralhos com alguma frequência. É um vício que muitos celebram. Mas melhor que isso é saber com que[m] estamos lidando, já que um oráculo é um espelho que nos reflete e nos coloca em contato com histórias extraordinárias — nossas e de outras pessoas. Há algumas semanas acabei comprando um novo DruidCraft Tarot. Uso este deck desde 2005, quando ganhei a primeira edição de um amigo muito querido. E agora, aproveitando os feriados para colocar a vida [e as perguntas] em dia, decidi entrevistar esta ferramenta de ofício tão querida. 


QUEM PRECISA DE TÁBUA OUIJA?

Brincadeiras a parte, entrevistar um Tarot pode dar arrepio em leigos e veteranos. E é bom que seja assim. Sugiro aqui o método de leitura que desenvolvi e que aplico com frequência. A grandeza de entrevistar um baralho, além de exercitar o raciocínio simbólico, é se deparar com cartas e respostas que surpreendem, que instigam o trabalho constante com as cartas. Esse método é ideal para quem se dedica a alguma linha de espiritualidade, já que abre caminho para noções cada vez mais profundas sobre a natureza e a aplicação do baralho em questão. Embora, claro, também sirva a quem deseja mapear as nuances e as vibrações de um oráculo específico. Vamos lá?


OS PREPARATIVOS

A ideia é que você tire o Tarot da caixa, se certifique de que há 78 cartas diferentes e comece embaralhando com tranquilidade e constância, sem pressa. Enquanto embaralha, sinta o cheiro das cartas, repare nas cores do verso delas e na textura do papel. Vá pensando nas circunstâncias que fizeram este Tarot chegar às suas mãos. Você o desejou muito? Gosta das suas imagens? O que mais te atrai nele? Sinta o oráculo. Ao mesmo tempo, reconheça que ele é uma instrumento de reflexão, previsão e orientação que merece o devido respeito. E que, não à toa, ele está em seu poder agora. Às suas ordens. Não se engane, esta etapa é simples e muito importante. Se você não vê sentido nela, convém pensar bem a respeito da sua própria relação com o oráculo.  

Feito isso, reúna as cartas e em seguida abra-as em leque ou corte onde o maço onde intui que deve ser. Essa medida é totalmente arbitrária e não influencia na leitura, a menos que você permita. Se prefere escolher as cartas uma a uma, tudo bem; se prefere pousar a mão sobre o baralho e 'quebrar' o maço em determinada altura, vá em frente. Este detalhe é pessoal e varia com muita freqüência. O importante é estar presente enquanto manipula os arcanos — sejam eles virgens ou não. 



AS PERGUNTAS

1. Quem é você? Quem fala através deste Tarot?
2. A quais propósitos você serve com maestria?
3. O que você revela a seu respeito?
4. O que você revela a meu respeito?
5. Quais suas fraquezas?
6. Quais suas forças?
7. Eis o nosso potencial de trabalho em conjunto.
8. O que você começa me ensinando?

E caso o seu desejo seja ir um tanto além nesta consulta, você pode tirar uma carta extra:
9. Qual o seu segredo?

Mas se você quer uma análise mais rápida, quase um bate-bola, sugiro a seguinte adaptação:

1. Quem é você?
2. O que você faz de melhor?
3. Como será o nosso trabalho em conjunto?
4. O que você me ensina agora?


EXEMPLO DE LEITURA



O DruidCraft Tarot, como já comentei, é um dos meus favoritos. Seu imaginário é voltado ao Druidismo e à Wicca e tem sido um dos baralhos mais vendidos do mundo desde o lançamento. Às vésperas de uma viagem muito importante em termos espirituais, o trabalho com essas cartas volta em boa hora. Compartilho com vocês as respostas que me foram dadas. 

1. Quem é você? Quem fala através deste Tarot?

XV CERNUNNOS
Eu sou o Senhor das Folhas, o Guardião das Florestas. Meu nome é Paixão. Dança. Amor. Medo. Domínio. Eu sou o vento forte e a brisa. A potência e o chão. A semente da vida vinga em meu nome. Eu sou o deus de tudo o que floresce, fenece e renasce. Quem se liga a mim vê tudo; quem foge só estreita os nossos laços. Eu chego e a terra treme. Terra e Água e Fogo e Ar são o meu Espírito. Eu estou em cada lágrima, em cada grão de sol, em cada arma, em cada escuro, em cada fagulha. Quem fala através deste oráculo é aquele que os tolos chamam de Diabo e os sábios tomam por Natureza. Eu sou o portal e sou quem passa por mim. Eu sou o que se chama de vida e de morte diante de ti.


2. A quais propósitos você serve com maestria?
OITO DE OUROS
Eu sirvo àquele que preza pela excelência. Sou o hábito da primazia, o capricho que não se negocia, a grandeza em tudo o que é possível ser feito. Produzo, aprimoro e me garanto como o arcano do cuidado e das mãos atentas ao que é belo, palpável, urgente e inadiável. Eu venho para responder a questões de ordem material, assuntos que pedem reparo e potências que exigem vazão. 


3. O que você revela a seu respeito?
DOIS DE COPAS
Eu mostro os emblemas do Amor. Eu posso e faço aquilo que demanda coerência e aliança. Sou o arcano dos contratos, das relações públicas e secretas, dos brindes que a vida pede. Eu revelo que este é um tempo único de celebrar o que há de mais forte e indestrutível dentro de ti e de quem recorre às suas palavras. A minha natureza é um acordo fiel e duradouro com o que há de sensato, sincero e sereno. Somos duas taças tilintando a céu aberto. O nosso tempo é de comunhão com a verdade. Nós somos o arcano que não te deixa esquecer: tu não estás só. 


4. O que você revela a meu respeito?
NOVE DE PAUS
Tu tens sido a desconfiança e a incredulidade em pessoa. A tua pessoa é essa que questiona até mesmo uma entrevista com um instrumento de trabalho tão vivo quanto somos nós. A verdade é que teu ceticismo cessa na medida em que nos ouve e acompanha: a cada momento é como se a vida desabrochasse aos teus pés, firme e fiel a si, mostrando que pouco importa qualquer medo. A tua força se faz digna na medida em que nos toma reais. Eu revelo que tu és o senhor do teu campo. E há muito a ser feito. Começa.


5. Quais suas fraquezas?
TRÊS DE OUROS
Eu falho no que é tocável. Eu vou até o ponto em que tu determinas. O inverso do trabalho é a inércia, e eu erro na constância dos detalhes caso não receba a tua devida atenção. Eu peco pela falta de uso. Sou um tanto fraco fisicamente, mas cada desgaste corresponde à minha melhor performance. Todos atentos aos meus talentos: a minha beleza abre os teus portões para perceber a Magia. Ainda que eu falhe, tu te moves. E alcanças.

6. Quais suas forças?
ÁS DE COPAS
O meu ouro é líquido. As forças que reúno são as forças das águas — os sentimentos, os fluidos principais, o caldo sagrado de Cerridwen. Meu nome é caldeirão, concha, vaso, útero, mão. Eu sou a  própria Força. Eu jorro cada dia. Eu te ofereço clareza e profundidade em assuntos ligados ao amor, à alma e à vida que nunca seca. 

7. Eis o nosso potencial de trabalho em conjunto.
XX O JULGAMENTO
Juntos renascemos. Juntos saímos do fundo de qualquer poço para o ponto mais claro da alvorada — assim é o prenúncio de um laço que já vem de outros tempos. Juntos refazemos caminhos e começamos outros mil. Assim, juntos, podemos tocar os temas luminosos do espírito, das surpresas e das urgências. Tudo que eu falo através de ti é revelação. A tua palavra é minha grandeza e a minha grandeza está na tua palavra. Juntos renascemos e damos o renascimento. Juntos iluminamos. Juntos somos luz a quem se habituou com a sombra.

8. O que você começa me ensinando?
REI DE PAUS
Há coisas que devem ser feitas. Há coisas que devem esperar. Tu estás pronto. Não há tempo a perder agora, bem sabes. As coisas devem ser feitas com louvor, como se fosse o último dia de tua vida. Cada postura assumida é uma dívida criada com a vida. E tua vida é essa fagulha pedindo para valer a pena. Eu sou o Rei do Fogo, o Fogo dos Reis. Estou desde o começo encarando as tuas palavras. Toda promessa que me fazes será cobrada. Toda dúvida que resta deve ser destruída. Eu olho fundo nos teus olhos. E cada compromisso firmado mede a tua honra. 


9. Qual o seu segredo?
SEIS DE ESPADAS 
Posso te mostrar o além. Como os caminhantes da água que ligam Avalon ao mundo dos homens, te levo pelos veios de bruma e de certeza pelo que deve ser considerado. O meu segredo é servir ao tempo dos vivos e ao tempo dos mortos, como se nada tivesse fim. Como se tudo fosse um contínuo entre o teu coração e os outros. O que outros oráculos chamam de fase ou momento, eu chamo de viagem propícia a cada momento que tu nos embaralha. O meu nome é jornada. Travessia.


AS PALAVRAS DEPOIS

Como você percebeu, as respostas vieram em primeira pessoa. Esse é um exercício simbólico, como comentei, mas também um exercício de escrita. Você não precisa escrever dessa maneira em seu caderno de anotações. Pode ser simples, elencando palavras-chave das cartas, por exemplo. Caso deseje 'gravar' a voz dos arcanos, fica a dica. O importante é anotar as cartas e trabalhar em cima de seus significados. 

É assim, aos poucos, que a sua relação com o oráculo passa a ser menos distante e começa a abrir cada vez mais a sua intuição. 

15 de outubro de 2013

AQUELE QUE ENSINA




Aos meus amigos-mestres na arte de ensinar o Tarô 
— Alex, Marcelo, Zoe, Nei, Giane e Giancarlo — 
e aos que aprendem com ele




































Tarô é atitude, antes e depois de tudo. Atitude de destrinchar um caso, de mapear soluções, de prever os passos. Atitude de comprar, de investir, de adquirir conhecimento, de colecionar. De disponibilizar-se ao acaso que se faz centro. Tarô é atitude, independente do que falem por aí — que ele destroi o livre-arbítrio, que é um livro de figurinhas do Diabo, que não funciona ou mesmo que veio do Egito. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de colecionar Tarôs. Mas não qualquer baralho, veja bem — os itens que desejo adquirir devem servir para leituras, não apenas para mantê-los intactos em minha redoma de raridades. Devem servir ao conhecimento e, sobretudo, devem me ensinar. Pensando exatamente nas trocas possíveis entre o tarólogo e sua ferramenta de trabalho que na minha primeira resenha publicada em inglês no Aeclectic Tarot, transcrevi a 'entrevista' que fiz com o baralho em questão, o Tyldwick Tarot [clique AQUI para ler o original e a tradução]. O que poucos sabem é que esse é um costume até que antigo diante de todo e qualquer Tarô que chega às minhas mãos. Perguntar ao oráculo a quê ele vem, por exemplo, é uma forma de familiarização e adaptação ao conjunto de imagens que dispomos na mesa para montar os jogos da vida. E é a vida, justamente, quem nos coloca as lições, as dádivas e os percalços para fazer da nossa narrativa pessoal uma jornada. De herói. 

Justo hoje, Dia do Professor, me chega um exemplar do esgotadíssimo e em perfeito estado do Egipcios Kier*, publicado pela U.S. Games em 1984. Não, não veio do Egito e é bem sabido que o original, em espanhol, tem sido publicado pela editora argentina Kier desde a década de 1950, ao lado do clássico La Cabala de Predicción, de J. Iglesias Janeiro. Motivos mais que especiais para abrir o oráculo em consonância com o coração. O primeiro arcano avistado no caos simbólico que submeto o oráculo 'virgem', ao misturar todas as cartas e extrair a Carta Primeira, foi justamente o O Sacerdote. Ou The High Priest, aqui personificado como Anúbis, deus dos mortos, a autoridade que emerge para assentar a autoridade divina sobre os humanos. Sendo o detentor de poderes mágicos e divinatórios, é também a força-guia pelos meandros do submundo — aquele que dá acesso. O negro chacal me provê a noção de familiaridade com as desgraças e as maravilhas da existência — nada assusta o Grande Pai; a chefia dos cemitérios. É na figura do Mediador entre um reino e outro, do mais Alto ao mais Baixo, que reside a essência do Mestre. Sendo o regente da mumificação, posso enriquecer a ideia de que preza pelas verdades inquestionáveis e mantém intacta a máquina dos ajustes. É esta lâmina que tradicionalmente estimula o aprendiz a trilhar sua própria senda. O representante dos deuses na Terra, falando por meio deles. A ponte. Daí o Pontífice que bendiz com a mão direita. No baralho Kier, por sua vez, o emblema tânato governa o Conhecimento com o cetro enquanto o Equilíbrio define seu chão. A balança, 'o nada em excesso'. Sinais. São os sinais, aliás, que definem o caminho de um leitor de imagens diante de um oráculo até então novo, desconhecido, esperando pelas combinatórias.



ENTREVISTA AO TARÔ 






Depois de passear lenta ou brevemente pelas imagens, me coloco a embaralhar as 78 cartas enquanto formulo as questões de boas-vindas. Três, como as primeiras palavras de apresentação de um aluno a um mestre. Três, as respostas do oráculo ao buscador. Essa é uma forma rápida e poderosa de certificar-se das forças que permearão as leituras. Independente do número de cartas selecionadas e das perguntas mentalizadas, o que realmente interessa é a maneira como você vai trabalhar a[s] resposta[s], já que este é um exercício não só de familiarização como também de atenção e percepção aos símbolos. Sigamos, agora, pelo que tenho vivenciado hoje.



QUEM É VOCÊ?

39, Testimony | O Testemunho

Eu sou a prova viva de que o Conhecimento existe e está disponível aos que o buscam. Sou, através destes símbolos, a Sabedoria encarnada. Permita que suas dúvidas comecem a se tornar o pó que logo pisarás. O Caminho é teu. Eu sou o Caminho. Percebe que oferecer o teu melhor faz com que o ritual da excelência se cumpra. Somos as imagens de ti mesmo. O grande opera sobre ti. Vê com os nossos olhos, a janela que a tudo enxerga. O que ofereces, te será dado.



QUAL SUA MAGIA EM/ PARA MIM?

50, Attraction | Atração

Eu venho para promover a Beleza dos deuses sobre tuas palavras e visões. Percebe o quanto somos fascínio e luz! A compreensão de nossas lâminas favorece o Jardim. Ele brota em ti e toma o Mundo, desde que respeitadas nossas forças e arquiteturas. Somos símbolos concatenados com a Existência. A Senhora dos Véus me serve. A Magia consiste na forma e na aplicação da Verdade. A Magia opera em ti a partir da destreza em predizer nossas vontades. Os meus caprichos estão impressos na tua pele, nos teus olhos, na tua voz. A minha Magia define o oráculo que és. Meu nome é Serendipidade.


O QUE TENHO A APRENDER A PARTIR DE AGORA?

27, The Unexpected | O Inesperado

Segue com teus dons as rajadas. Vê como minhas flechas deturpam o que se estabelece? Eu vou contra o vento dos demais. Sou a diferença que buscas. O que não está agendado nem possui tempo para formular-se com exatidão. Se neste portal meu nome é Inesperado, recorre ao Acaso para que alimente ainda mais tua coragem em explorar nossos domínios. Há perigo em toda previsão, mas abençoa-se quem tem grandeza nas próprias sentenças. Eu assusto as surpresas e surpreendo o inconveniente. Deves, portanto, assumir a dádiva de ser um canal. A ser um artífice diante das alterações que não se pode evitar. Aprende a fortificar tua consciência e tua agilidade nos passos eternos a partir de ontem. Agora.


TODA E QUALQUER RESPOSTA PODE SER REVELADORA. 
E SERÁ.

Perceba que as respostas são como que canalizações. Para que aconteça isso, há de se ter em mente que toda resposta que você escrever, mentalizar ou pronunciar em voz alta a partir da análise individual de cada Arcano é importante para definir o que tal baralho lhe oferece e/ou exige. É uma maneira absurdamente fácil, aliás, de abordar qualquer outro maço e colocar à vista suas noções prévias a respeito de determinada imagem arquetípica. Todo e qualquer arcano do Tarô nos ensina, por mais que se considere esgotado o que se pode extrair dele. A predisposição a aprender deve ser unânime para que as palavras e as formas surtam efeitos proveitosos. 


A PIRÂMIDE DA MAESTRIA






Fiquei realmente surpreso com estas primeiras cartas. O caso do baralho Kier é único por ter uma estrutura diferente dos demais Tarôs. Respeitando esta estrutura e somando as três cartas sorteadas, obtenho O MESTRE deste oráculo para mim, que a partir de agora serei seu intérprete. E nada mais auspicioso que receber meu Arcano Pessoal como produto final: A JUSTIÇA, associada a Capricórnio e personificada como a deusa Ma'at, companheira de Anúbis no ofício da balança, ajustando minha performance com verdade e harmonia. Claro que meu fascínio pelo universo egípcio, adormecido há tantos anos, tende a voltar com força absoluta. É assim, pelo menos para este colecionador que vos fala, que se procede diante de uma aquisição — da mais aguardada à mais inusitada. Bons augúrios, verdade, para erigir os quatro lados de atitude daquilo que chamo de Pirâmide da Maestria — preceitos que o oráculo constantemente exige e proporciona:

Administrar o Mistério com coragem e grandeza.
Manter a predisposição a aceitar e a vivenciar os presságios.
Encarar o Tarô como um professor atemporal. 
Nutrir o mundo com a sabedoria adquirida pelo esforço.


Na medida em que o leitor se dispõe verdadeiramente a aceitar e a absorver a magia dos símbolos, o caminho do genuíno conhecimento começa a se ladrilhar aos seus pés. O Mestre é aquele que ensina quando o Neófito age.



L.







I N D I C A Ç Õ E S


Nelise Carbonare Vieira
principal divulgadora do Tarot Egípcio Kier




















Interessou-se pelo Tarô Egípcio Kier

Saiba que ele tem história.

Conheça o Tarot Door, da taróloga Nelise Carbonare, 

principal referência sobre o ensino e a prática de leitura deste deck único.

Neste link do Clube do Tarô você pode se enveredar pelas cartas 

a partir da galeria e dos textos compilados. 

A editora Pensamento lançou o baralho com o livro escrito por Bibiana Rovira, 

bem indicado por quem entende do assunto. Clique AQUI e pesquise o melhor preço! 

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6 de setembro de 2011

O CAMINHO DA AUTOCONFIANÇA

Ontem a minha querida editora do Personare escreveu aos colunistas da Revista pedindo sugestões de artigos sobre autoconfiança. Fiquei pensando no meu instrumento de trabalho, nessa parte indivisível que me é o tarô e matutei sobre o tal conceito. Autoconfiança? De onde vem? Embaralhei os 78 arcanos e pedi, com toda a clareza possível, que o arcano MAIOR que a representa emergisse do leque. Veio O LOUCO, para o espanto de muitos e para o meu sorriso interno. Em dois tempos redigi o artigo e ele já está publicado AQUI. Depois, passeando pela minha biblioteca, me deparei com a Rachel Pollack no seu maravilhoso Tarot Wisdom - Spiritual Teachings and Deeper Meanings, editado pela Llewellyn. Nele ela propõe um rápido método de leitura especialmente baseado no famoso Arcano Sem Número, bem eficaz para elucidar os pontos em que ele surge em nosso caminho. Vamos jogar? Sugiro manter o arcano em questão acima, como se fosse a posição 0 do jogo. Embaralhe os 21 ou os 77 restantes. Ou então permita que o Louco esteja no maço para que ela possa surgir em alguma das posições e ressaltar o seu poder de reflexão. Você escolhe. Disponha os arcanos na ordem numérica [naturalmente] em coluna, de modo que a última casa seja o caminho, os pés do Louco: as dádivas que as andanças proporcionam.


1. Como tenho sido um Louco na minha vida?


2. Como é que isso me ajudou?


3. Como é que isso me machuca?


4. Em que área da minha vida eu preciso ser mais Louco?


5. Onde é que o Louco não me serve?


6. Onde é que eu posso encontrar o Louco fora de mim?


7. Que presentes ele me traz?


O tarô, enquanto extensão do tarólogo e do consulente, é também o próprio caminho caleidoscópico que ele propõe. Variado, polissêmico. Um verdadeiro RPG. E quem o ministra firmemente, creiam, é o Louco. Íntegro em sua sabedoria maltrapilha, fiel às suas capacidades. Lembrei de Joseph Campbell, sempre maravilhoso, que afirmava aos seus estudantes: Follow your bliss. Seguir a nossa bem-aventurança é o único caminho que, além de ininterrupto, nos leva aonde temos que chegar, de verdade.

Aproveitem esses presságios.
Eles são fantásticos para o próprio crescimento até chegarmos a mestres de nós mesmos.



Uma grande jornada,



L.



* o artigo na REVISTA PERSONARE
TAROT E O CAMINHO DA AUTOCONFIANÇA - Exercite sua capacidade de conseguir o que deseja com o arcano O Louco


* crédito das IMAGENS
The Fool - Morgan-Greer Tarot - www.taroteca.multiply.com
The Wanderer - The Wildwood Tarot - the wildwoodtarot.com

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12 de fevereiro de 2011

A ARTE DE MANEJAR COLUNAS E LEÕES


The Force - Waite-Smith Tarot

Não existe arcano melhor ou pior, nem mais fraco ou mais forte. Existe o poder de cada um que nos toca de acordo com a nossa leitura de mundo. Com a nossa poesia pessoal. Tenho descoberto n´A Força uma grande aliada para solucionar problemas, sabe? Uma espécie de feiticeira que coloco em prática mentalmente. Dependendo do humor do leão, o olhar dela furta toda a atenção e joga o encantamento. Aí está feito. As mãos hábeis na mandíbula, as pupilas no alvo. Eis o controle. Coragem, palavra de ordem aqui.
La Force - Gringonneur
Outro dia, ao telefone com meu amigo Nei Naiff, conversamos sobre o que há de obrigatório para se ver sobre Tarot em Paris, já me programando pra viagem. Anotadas as dicas, me peguei questionando qual era mesmo aquele baralho em que O Louco é gigante e faz malabares e que a Força não tem leão, mas uma coluna – representação de uma das Virtudes cardeais, sempre presentes. Aquele que a LoScarabeo lançou com o nome de Tarot of the Renaissance, com bordas douradas e frufrus. Charles VI, outro nome famoso dele. “É o Gringonneur!”, bradou o Nei, “é o que chamam de Gringonneur”, e tudo me veio à mente. Passada a amnésia, fiquei com a A Força na cabeça. A coluna havia se quebrado há alguns dias, mais precisamente na minha resistência, quando passei por umas experiências nada agradáveis com mudança de casa e trâmites de fim de contrato. O arcano da vez, saquei, era mesmo A Força, exigindo de mim uma posição física e mental voltada totalmente para a ação. Mesmo com a gripe [a exemplar reação ao medo da mudança, segundo os metafísicos da saúde] mais forte que já peguei, temperada com nervosismo e uma longa viagem até a cidade em que eu estudo, comecei a mudança de casa e a mentalização da carta – plasmando na minha mente o sorriso indiferente da dama diante dos meros detalhes do cotidiano e assimilando toda a destreza necessária para concluir os compromissos sem tanta alterações de humor – e de saúde, né? Mimetizar o esforço da domadora, curvar-se para arrastar móveis e carregar livros a coluna da vez – para tomar consciência do meu corpo e do meu estado mental diante dos problemas e também das novidades. Uau, espelhar as lâminas é uma técnica mágica. O feitiço possível da imagem.
Tarocchi di Mantgna - FORTEZA XXXVI
Hoje, uma semana depois, sarei dos olhos vermelhos e da coriza: aceitei a minha vulnerabilidade. Percebi, compreendi e imitei internamente a serenidade que existe nos olhos daquela feiticeira de leões; a firmeza dos olhos tranqüilos daquela dama de véu negro, ciente de que o peso do pilar depende do quanto ela acredita que pode agüentar. Entendi que acreditar somente no que desejamos ou tememos não é muito saudável. O que vale é penetrar no caos e mostrar as garras. Assim resolvi todas as burrocracias junto de pessoas queridas e já não penso “ah, tá louco, não quero nunca mais passar por isso”, mas sim “ótimo, eu consegui. Agora extraio sabedoria dessa situação para enfrentá-la com toda a coragem se algo parecido ou pior me acontecer”. Aprendi a ter segurança diante da incerteza e do improvável. Enaltecer sincera e coerentemente a magia pessoal é opção e responsabilidade cada um. Por isso o trabalho com o arcano felino já faço há anos, mas sob a égide da virtude começo agora. Em mãos o meu Tarocchi di Mantegna.

Um beijo corajoso aí,
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L.
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P.S.: Nei, vi o link do Renaissance da Lo Scarabeo que você mandou, mas eu queria mesmo é uma réplica do original. Nada bobo eu, né?
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IMAGENS | galerias do Clube do Tarô. Aliás, clique aqui e saiba mais sobre o Gringonneur que não é o Gringonneur.

4 de fevereiro de 2011

TRABALHANDO COM O JULGAMENTO




Há alguns dias recebi um e-mail bastante verdadeiro de uma leitora.
Clara* é mãe de dois filhos, trabalha e não tem marido. Comentou do contato com o Tarot e com a Astrologia que mantém há 20 anos, do jogo de cintura para dar conta do trabalho e da doença do filho e ainda da dificuldade em se abrir para um novo romance, uma nova empreitada pessoal. Para entender melhor o momento, Clara escolheu um arcano. Veio O JULGAMENTO. Alegou que não tinha encontrado muita coisa aqui no Café e me pediu algumas palavras para meditar um pouco.

Pois bem. O Julgamento. Desde 2005 tenho desenvolvido uma prática bastante eficaz para o treinamento da intuição: O TRABALHO COM O ARCANO, ou DIÁLOGO COM O ARCANO. Nesses seis anos pude vislumbrar a pluridimensionalidade de cada um por meio da conversação e da meditação, ouvindo as vozes e as mensagens tão certeiras e precisas. Mas sempre, claro, com os pés no chão. Sem nenhum tipo de devaneio esquisotérico que me jogue longe da coerência simbólica e pessoal. Aliás, incoerência é o que tenho visto por aí com a maioria dos interessados no assunto se mostrando verdadeiros consumistas de baralhos bonitinhos e diferentes, abarrotando as redes sociais com informações vazias e achismos sobre o que um arcano faz ou deixa de fazer. Mas isso é outro assunto.

Surgite ad judicium. É prudente trazer o arcano pra você, Clara. Mesmo já respondido o seu e-mail, fiquei pensando que a sua experiência com o Tarot poderia lhe ajudar a entender melhor o que este arcano escolhido exige de você e também o que ele lhe oferece. Primeiro, analise a imagem. Para "abri-la", é preciso familiarizar-se com ela. O trabalho começa quando você se dispõe a lê-la, a ouvi-la. Como um livro repleto de figuras, em que a narrativa está plasmada nas cores e formas. Pense num arcano isolado como uma página crucial para o entendimento do livro.

O que vem primeiro à mente? A imagem fala, o que você ouve?

Intuitive Tarot, Cilla Conway.

O Renovador, o Renascimento, o Juízo... Anote tudo o que a figura está mostrando e parta depois para o que você sente, que é um passo da interpretação. Ela exige, num primeiro momento, uma postura emocional ainda mais forte e confiante de que tudo pode ser extremamente positivo e diferente daqui pra frente. Você acredita em você? Então está na hora de reconhecer e respeitar a sua intuição. Respire fundo sempre que tiver alguma folga. Sinta o seu corpo. Sinta o seu coração batendo. Atitudes simples como essas lhe ajudam a redefinir contato com você mesma. Sem esse contato, sem aceitar a si mesma, incondicionalmente, nada funciona bem. Reconheça o seu corpo, aceite o amor e abrace as novidades. Unir o Céu e a Terra: um equilíbrio possível entre adversidade e descanso, prazer e esforço. É o que O Julgamento lhe traz de início.

O TRABALHO COM UM ARCANO é uma técnica poderosíssima de diálogo, de interação e sobretudo de humildade diante dos arcanos como mestres. Lá na
Revista tenho mostrado a intrínseca relação entre a imagem e o leitor, que somos nós - tarólogos ou consulentes. É importante também, durante uma consulta, deixar que a pessoa veja e/ou toque as cartas escolhidas, mesmo se não tiver nenhum conhecimento do assunto e estiver interessada apenas nos resultados. É difícil tentar definir a variedade de efeitos que uma imagem pode surtir no inconsciente humano, mas o contato é sempre necessário. É assim que podemos perceber nossas próprias fábulas e nossas alegorias mais secretas sobre nós mesmos. A sabedoria e a bem-aventurança vêm daí.



Sei que a mensagem foi positiva para você, Clara. Continue com ela. Um arcano é inesgotável, como a vida em todas as suas páginas. Com o maior respeito e gratidão, desejo que o seu caminho seja repleto de significado e verdade.

Leo



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* Nome fictício.