29 de abril de 2007

O SILÊNCIO ENTRE AS DUAS LÂMINAS


"Agora vai contar-nos o duelo, pensei, e de fato a carta colocada à mesa 
naquele momento foi o tilintante Dois de Espadas."

Italo Calvino 
O Castelo dos Destinos Cruzados, 1973


Imagem. Eis a força, a mensagem por trás do silêncio gritante do tarô. Narrações aos olhos libertos, mas não com as mãos vazias. As cartas sugerem movimento, seja mental, seja físico. E é no movimento que mora a mensagem, é na brisa sobre as águas que se faz a metáfora. O naipe de Espadas é complicado, concordam alguns. Talvez porque ele seja puro pensamento e não se abra aos mais efusivos. Exige reflexão, adora jogos de inteligência. É detestado e temido, até.

Se o Ás é o primeiro passo na formação do processo do entendimento, o Dois quebra expectativas. Ou melhor, as corta. Lentamente. São alianças, paradoxos, tensões. Conflitos que demandam tempo para serem assimilados e coroados por analogias. O céu mantém-se azul.


Na pintura de Frieda Harris, o arcano é bonito e leve. Equilibra a turbulência interna e causa serenidade, ponderação. Táticas pacíficas e justas. O descanso das armas sob o fundo verde e amarelo – sem patriotismo e conotações políticas, por favor. Astrologicamente, Crowley o concebe como Lua em Libra, que ajuda na explicação: o clima é propício a relacionamentos, ao culto do belo, da harmonia e da diplomacia. Interessante que um dos atributos é justamente o entendimento e reconciliações favorecidas. Aquele lance de ser correto, justo. A racionalização da vida. A influência dos Maiores é nítida – uma extensão do oitavo arcano, A Justiça? Ou seu conflito conceitual?

Na visão de Waite-Smith, é a guerra íntima. A venda nos olhos pode indicar cegueira neste arcano. O sentido é o de retiro interior. Há quem diga que cego é aquele que ignora a realidade, o irresponsável. A mulher retratada, portanto, descarta as aparências enganadoras do mundo, adquirindo o conhecimento de sua própria realidade. Coração fechado pra balanço, vale dizer. Lua Crescente, se vista pelo hemisfério norte – um outro contexto simbólico, que mostra até onde podem ir as emoções, o nível de lágrimas deixados para trás. Crescentes as barreiras, apenas.



Já na simbologia maçônica, duas espadas desembainhadas e cruzadas representam o Cobridor Interno. O cargo, que só é concedido a um mestre, nunca pode ser ocupado por um aprendiz ou companheiro. Outro termo para a função é “Guarda do Templo”, reforçando a semelhança imagética com o arcano 2, a Sacerdotisa: as duas velam pelo mistério das águas.

Mesmo desprovida de visão, nada fica imune aos seus sentidos: quem chega perto pode morrer. É assim que se resolvem quaisquer pendências emocionais – talvez por isso alguns enxergam uma tesoura sendo empunhada, jamais um “V” de vitória. V de Vingança? Desaconselhável. A lei tríplice é real. Perfura corações na tempestade. Pura (in)conseqüência.



Um símbolo sozinho não tem poder algum. É o povo que dá poder aos símbolos. O anti-herói dos quadrinhos de Alan Moore e David Lloyd espera anos para detonar, literalmente, seu glorioso plano. Talvez aqui haja a conversa entre o enredo e os sintomas da lâmina. Cada passo premeditado. A pressa sempre coloca tudo a perder. A desforra é plena. 

Entrando de cabeça na Matrix, mais coincidências pulam à vista. E aos outros sentidos, no caso. Neo e Thomas Anderson são duas pessoas, duas vidas paralelas. Thomas é o ser humano normal, vivendo horizontalmente (nasce, cresce, trabalha e morre), sem buscar o significado às perguntas e sem se preocupar com o despertar da consciência, de acordar o 'adormecido'. Já Neo é o rebelde, aquele que quer vencer as barreiras e as limitações físicas. Não é nítida a contradição individual?



Sua cegueira também não é mera coincidência. Trata-se da constatação de que chegou a um alto nível alto de consciência no qual os sentidos não são mais necessários para se enxergar o essencial. Ele alcança a Terceira Visão, de fato. Talvez o objetivo maior da jornada do arcano. Se a realidade for definida apenas por aquilo que é processado pelos cinco sentidos, então ela é apenas o resultado do que é perceptível ao cérebro, ou seja, pode ser manipulada tanto por uma realidade virtual (a própria Matrix) como por meio de truques: a Terra parece estar em repouso, quando na verdade se move, assim como as estrelas parecem andar. 

Os olhos mostram uma coisa enquanto o conhecimento científico explica outra. O que se vê nem sempre é a realidade. As ilusões de ótica provam.



Tudo o que se vê, então, é o irreal. Ou não.
"O que é a realidade?" – a questão que perdura durante toda a saga, é a mesma que a filosofia ocidental tem feito nos últimos milênios. Enquanto a aparência do mundo é bela (a gigantesca e antiga civilização, sua política, economia e leis a serem seguidas), atualmente ele se mostra degradado (a violência, o egoísmo e o materialismo dominante), dando a entender que se deve cultivar a realidade interior, não a apresentada pela existência física.



Em termos semânticos, as atribuições do Dois de Espadas são demonstradas pela antinomia, isto é, o sentido dúbio na forma com a qual uma mensagem é transmitida e entendida. Guerra e paz, conflito e equilíbrio; a pura articulação das emoções, dos pensamentos que rasgam ou aliviam a mente. Outro fator importante é a falta do aspecto afetivo da figura feminina. O envolvimento é zero, pois há a negação fria e afiada dos sentimentos. Não se descarta a possibilidade de desilusões se colocada ao lado da segunda carta numerada de Copas. Mais ainda se ela for disposta decrescentemente no próprio naipe de Espadas: no Ás, o renascimento das idéias, da vontade.



A dama de branco no Rider-Waite, cuja comunicação externa é nula, passa a ser um indivíduo não identificável, em todos os sentidos. Sintomas de esquizofrenia, porque não? O rosto que não reage, a postura séria e rígida. Apenas as mãos determinam o golpe. Qualquer aproximação se traduz em sangue no aço, já que ela não se faz distinção dos que chegam perto do seu banco. Se a mulher que empunha firmemente suas armas for vista como princesa do reino de Espadas, outras possibilidades imaginativas se abrem em leque: a jovem passa pela iniciação, o puro duelo entre suas sombras e virtudes, entre o medo e a coragem para galgar o futuro trono. Porém, se levadas em conta atribuições familiares do naipe (rigidez, domínio, castração e frieza), a menina cresce duplo-vinculada, ou seja, com desequilíbrios emocionais decorrentes da comunicação de seus genitores; a desorganização do intelecto e a fuga da realidade. Valores contraditórios que tonificam o paradoxo, como elogios e cobranças simultâneas.



Segundo estudos anti-psiquiátricos, o duplo vínculo só funciona quando há uma forte relação afetiva. Mesmo sendo o casal mais tenebroso do baralho, o Rei e a Rainha têm (pelo menos um) coração. Só existem sintomas quando há a ameaça subjetiva da anulação do afeto, bem característico desses pais. Se o arcano é carregado de antinomias, como o amor e o ódio, duas leis em questão, inevitável cair no conceito da aporia que, retoricamente, diz respeito ao momento em que um personagem dá sinais de indecisão ou dúvida sobre a forma de agir ou expressar-se. A atenção ao seu silêncio é imprescindível.

Aliás, "qual é o som do silêncio?"

Em termos budistas tem-se o Koan, o paradoxo que o discípulo tem de decifrar. Sua beleza é que, como fenômeno tipicamente associado à linguagem do universo, ele provoca a mente retirando a ilusão de que há algum controle sobre a realidade. Um desafio à personagem: “você é capaz de enxergar além de sua noção de verdade, de sua concepção de mundo?”

A espada é uma ferramenta de aperfeiçoamento físico-espiritual. Alquímica, portanto. O guerreiro não a usa para combater, mas pela disciplina do amor e da compaixão. Nas artes da espada japonesa, um dos estilos mais discutidos e menos compreendidos é o Niten Ichi Ryu, cuja técnica mais conhecida é a de duas espadas. Nada mais característico ao arcano, sobretudo se a imaginação permitir que a personagem seja inspirada no próprio criador do estilo, Musashi Miyamoto, o famoso samurai que venceu mais de 60 duelos e nunca foi derrotado. No seu "Livro dos Cinco Anéis", best-seller entre os executivos desde a década de 80 e até hoje editado na Europa e América, ele ressalta a importância do discernimento perceptivo, não apenas no caminho do guerreiro, mas em todas as posições sociais para adquirir uma compreensão objetiva dos mecanismos do sucesso e das oportunidades.

Imagem do filme Miyamoto Musashi: Nitouryuu Kaigen - Toei Video, 1963


Sob influência confucionista, estabeleceu a base teórica e prática para a evolução da mente como um todo, fundamental aos que carregam duas lâminas nas mãos:

Não pense desonestamente, pense no que é correto e verdadeiro. Desenvolva julgamento intuitivo e compreensão de todas as coisas, aprenda a ver tudo com cuidado. Note aquelas coisas que não podem ser vistas, tomando consciência daquilo que não é óbvio.

Segundo mitos, Musashi teria empunhado seu par de lâminas e lutado sozinho contra quase 100 oponentes, além de outros adversários que se surgiram pelo caminho. Sua saga pode ser saboreada em Vagabond, de Takehiko Inoue, um dos mangás de maior sucesso nos últimos tempos.

Utilizando apenas uma espada, 100% da energia se mantém nela. Utilizando o Niten Ichi Ryu, a energia distribui-se. A cooperação entre as duas espadas faz com que se supere o potencial de apenas uma delas. E ambas devem trabalhar em harmonia, buscando a abertura e mantendo a pressão.



Musashi deixa claro que "no início tudo parecerá difícil, mas a princípio tudo é difícil. Quando se acostumar ao manejo das duas espadas, você adquirirá a força do Caminho. Morrer com uma espada na bainha é indigno". O correto é utilizar todos os recursos para alcançar os intentos. Esse é o ensinamento das duas espadas, que pode ser aprendido e assimilado por todos durante a vida.

"A percepção é forte e a visão é fraca. É importante ver o que está distante como se estivesse perto e ter uma visão distanciada do que está próximo." Pronto, encerram-se aqui as analogias. Cortantes, como sempre. Falando em termos interpretativos, a proposta do Dois de Espadas não é evitar o dualismo, mas findar seu domínio, atingindo um único estágio mental. O duelo não é pra qualquer um. Quando se aprende a viver além da realidade, atinge-se a meta mais saudável: a liberdade incondicional da mente única, segundo a filosofia oriental.



Contradições. A serenidade só é abalada pelo equívoco entre as imagens. Ainda há tempo e razão pra meditar, sobre ambas as armas.

E o céu continua azul. Olhos livres nele.




Paz restaurada,



Leo

7 de abril de 2007

O 1º SIMPÓSIO DE TARÔ DE SÃO PAULO

Dedicar um tempo pra escrever sobre o evento estava nos meus planos já na noite de sábado, quando voltei pra casa feliz da vida. Horas e horas de abraços, trovoadas e muito riso - "energia muito louca", como disse Emily Harata, uma das alegrias do dia.


Uma sala repleta de pessoas "normais" opinando e discutindo desde vidência à Física Quântica e de Imagem Acústica à Neurociência e Fenomenologia nas cartas. Incrível, como a mais simples consulta de tarô. Amigos que concretizam laços, surpresas ao se deparar com verdadeiros parceiros em poucas horas e o clima tranquilo que só trincava pelo atraso básico nos horários. É, o tempo urge.
Mas quando é bem vivido, marca pra sempre.



O melhor foi trocar idéias durante o "coffee", quando o contato foi mais próximo. Próximo mesmo, pois o espreme-espreme nas fotos comprova e eterniza a lembrança. Desbanalizar, repensar, aplicar, relacionar, sentir e desenvolver o tarô. Verbos que fazem a diferença. A mesa redonda sobre ética instigou bastante. Cuidado com os "conselhos", saber ouvir, agir com o coração e com os pés no chão, característicos de um bom tarólogo.


Completo minha opinião: profissionalismo e caráter. Impressiona quem faz, mas transcende quem faz bem feito. Respeito ao consulente, (a grande experiência que o cartomante adquire) e ainda o respeito ao tarô, o fantástico instrumento que tanto amamos. Baseado no esforço dos amigos que organizaram o evento, saúdo e agradeço a oportunidade de beber das idéias e conceitos para um único bem comum: a real dedicação à arte de jogar cartas, ou à técnica de ler símbolos, ou a maravilha de fazer amigos em nome do tarô.


A vida passa a ter grandes significados a partir dele.
Se alguém discorda, não faz mal. Cada um vê aquilo que os olhos podem perceber.

Até o próximo,


Leo



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18 de março de 2007

A CASA DO TARÔ

OU A ARTE DE MORAR PELAS CARTAS


Ficar em casa é uma tentação – o silêncio e a umidade da varanda, o ar bucólico que respiro ao curtir a rede, o som no ipod, e as páginas de um livro. E claro, um café passado na hora completa essa minha Arcádia.

Um dia desses, com uma revista de bons fluidos nas mãos, várias idéias brotaram. Absurdas, de imediato. Analogias entre o tarô e a arquitetura, que vão da planta da casa até o alicerce, dos tijolos até a pintura. Uma amistosa articulação dos naipes.


Nos Maiores, é nítida a ligação entre O Mago e o arquiteto.
Riscos, rabiscos, colocações necessárias e outras não, além dos vários palpites que vão pro papel. Muito depende do gosto do cliente, o casal arcano Imperador e Imperatriz. Sem ela não há vida na obra, o feeling dos cômodos e o futuro aconchego da morada. O Imperador constrói. Arrisca-se como mestre de obras, o engenheiro que supervisiona o empreendimento.

Claro, A SACERDOTISA, a primeira figura feminina, tem papel importante também. Atua na decoração, no combinar das paredes e dos tecidos que serão utilizados. Cortinas e adornos – pilares, por exemplo – que dependem de estudo e intuição para a perfeita colocação. Sem os dois, nada flui.



A magia de morar passa pela sexta lâmina, O Enamorado – escolhas, indecisões, opinião de terceiros, referências. Não dá pra curtir um espaço sem os sentimentos, que dão acesso direto ao patamar de Copas. Viver a casa difere (e muito) de apenas morar dentro dela. É sentir o perfume familiar assim que se chega da rua, perceber aquele algo mais impregnado a cada batente. Ah, as lembranças.

Fontes derivam do Ás de Copas, no prazer de fluir com o som da água. Relaxante, inspirador e romântico para muitos, já que também fazem alusão às estátuas úmidas e lodosas. Aqui cabe a Estrela.



O dois deixa explícito o amor pela estrutura, a relação apaixonada, o típico desejo de estarem a sós. Dois, em qualquer cômodo.



Quando deixo de sair, sinto os detalhes – plantas, cadeiras, rede, sofás, gramado, canteiros e bancos. Sempre que posso, driblo programas nada atraentes que solicitam minha presença só pra curtir o entorno. As paredes do refúgio sustentam minha preguiça e me dá inspiração para agregar conhecidos, parentes e paixões. Seriam os tais guás do Feng Shui? Esta é a área dos Amigos, com certeza.



“Um verdadeiro lar se constrói sem pressa”, ouvi dizer. Justo. Perde-se a conta das tantas vezes que o alicerce e as primeiras paredes são visitadas. Planos e novas idéias que brotam só de olhar pro chão. A promessa do aconchego.
Bases do 4 de Ouros.




Outra parte importante é a limpeza, claro. Às vezes dando espaço ao novo, o passado caindo por terra e todo aquele papo de alquimia interior: terreno limpo é oportunidade, um sinônimo para liberdade.



Móveis, tintas, cores. Acomodar cada objeto, pensar em diferentes possibilidades – há, então, uma pontada de Espadas. É bom saber combinar. Não só aludindo à Temperança (que também se encontra na cozinha), mas como numa leitura de cartas: a beleza das estampas sugerindo diferentes presságios. Auspiciosa comparação.

Por vezes a Justiça traduz-se em um ambiente mais clean – o tal Minimalismo que já foi e ainda é moda entre os sensatos – com poucos móveis e mais espaço livre. O justo e o necessário que contribuem para o equilíbrio da morada e do espírito. Na cozinha, Copas e Ouros se misturam. Aqui sim o anjo das ânforas comanda, como na pintura barroca.



A vida fica mais gostosa com a comida caseira. Não que o fast-food da correria seja ruim, mas utilizar a cozinha evita a monotonia e faz vibrar a energia da casa, sem jamais se comparar ao ritual dos elementos, às panelas próximas borbulhando, ao vapor e à mesa posta. Moderadas combinações. Há quem diga que cozinhar dá trabalho. Deve dar, mas se for com vontade, não cansa muito e nem faz tanta sujeira. O que vale é a intenção, como nas vezes que alguém decide dar uma geral no jardim.

A manutenção não se resume aos móveis internos, mas também aos vasos, à poda dos arbustos e mesmo ao barulho infernal do cortador de grama. Há ainda sentimentos e lembranças de infância, como descobrir o contato com a terra. Ouros vem aí.



O naipe de terra evoca paisagens, plantações, fachadas. Reuniões.
Ele exige a projeção das sensações em toda a estrutura, caso contrário ela fica dura, sem vida. Não cumpre a função de “lar, doce lar”. É a posse da propriedade, como no quarto arcano prenunciado pelas fundações, mas antes o coração da família. Copas, ainda.



É também nítido o conceito artesanal que as cartas proporcionam – a confecção, a customização, o ateliê em casa, os deveres domésticos – que exige os detalhes e a criatividade, naturais dos naipes de Copas e de Espadas.



Mas que fique claro: nada dentro de uma casa funciona se não houver presença de espírito fluindo a cada porta e corredor. É característica de Paus a energia do ambiente, o fogo que aquece os corações e as relações de moradores e hóspedes. Em cada cantinho um tipo de lembrança, as conversas de outros anos e a paisagem que transmite bem-estar, como um terraço. Só é melhor se for de frente pro mar, com a vista do Pão-de-Açúcar.



Posses. O senhor das Moedas se alegra com posses. Já foi falado sobre a manutenção – sem dinheiro, sem casa. Por isso ele controla tudo de bom grado. É generoso. O “paizão” do naipe telúrico tem os pés no chão (ou esticados numa confortável espreguiçadeira), e não consegue deixar os investimentos em segundo plano. Inquilino, mas antes dono. O proprietário. Rei.



Já a esposa permanece nos fundos. Água de Terra, a Rainha é lama, a que deixa os filhos se sujarem –“por que se sujar faz bem”, já diz anúncio. Nada como curtir a varanda ou a estufa. Amor de Mãe (-Terra), que cuida e mantém a beleza do verde.



A construção e a harmonização dos ambientes nascem da observação da natureza, claro. Assim como os chineses da Escola da Forma, o entendimento do tarô também é uma questão de visão – das cartas, das pessoas, das casas. Imaginação e flexibilidade, pura sintonia com a geografia do imaginário, a cenografia do cotidiano sempre mudando. Construindo conceitos e ampliando resultados, um trabalho que não cabe a quem já caiu da Torre, por exemplo - aquele arquiteto eu dispenso. Enquanto lhes escrevo, tomo café na minha rede, perto das heras. Ah, e vejo que cai uma folha bem próxima à cara do Louco.



Voltem sempre. Vocês já são de casa.


L.


FONTES VISUAIS:
Google Imagens
Taroteca