12 de novembro de 2010

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Cortador de Waite-Smith


O AÇÚCAR

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

Ferreira Gullar

Dentro da Noite Veloz (1962-1975)



Reflitamos, pensemos mais - livros, poemas e imagens.
Os arcanos se alimentam de cultura. Da nossa, interior. Esforço é preciso.

POR MENOS teorias vazias em nome do Tarô.

Ele agradece. Tenho certeza.

3 comentários:

Harah Nahuz disse...

Mente pequena (e vazia) = tarot superficial = consulta mediocre.
Nenhum oito (leminiscato)será infinito,enquanto a mente for limitada.
Também tenho certeza :)

Pietra disse...

Eu sempre penso nisso... estou lendo Julie and Julia e acho que é uma mistura gostosa de Imperatriz com Temperança =)

sunnyynnus disse...

Isso mesmo Leo mandou muito bem, quanto mais conhecimento, mais o Taro se revela pra você.