8 de outubro de 2011

O MAGO DA MAÇÃ



A matéria de Arnaldo Bloch n'O Globo me deixou mais aliviado diante do genuíno endeusamento que Steve Jobs tem sofrido desde quarta-feira com a notícia de sua morte. O mundo virtual desabou em lágrimas. Mas o endeusamento é sempre traiçoeiro. Importa que cara era bom. Mexeu de jeito na máquina do mundo. No cotidiano do homem. E só quem tem um Apple, por menor que seja, é que sabe do milagre que existe ali. Mesmo assim, todo o cuidado com o burburinho paga-pau. Menos, né? Menos.


O Mago Jobs elevando um dos seus trunfos (!): o iPhone.

Pensando nas analogias possíveis com o oráculo, o fato é que Jobs foi o verdadeiro Papa da revolução tecnológica. No tarot, a verdade é que ele se enquadra no frame do O Mago. Sim, porque quem inova primeiro é justamente o primeiro arcano. E a partir disso, da criatividade que ultrapassa o verbo é que ele se distingue do quinto elemento Maior, o eleito e amado pelo povo sob diferentes primas e circunstâncias. Não agrada a todos. Aliás, quem agrada? Os elementos do grande batelleur são combinados ritualisticamente para alcançar o topo d'O Mundo. E isso, inegavelmente, Steve Jobs conseguiu com todo o trabalho possível e impossível digno de qualquer alquimista sério e empenhado na busca pela sua pedra filosofal, lindamente personificada numa maçã. A menina dos olhos da tecnologia contemporânea. Que tal? Magia maior não há.


E o Mago Smith-Waite com o símbolo máximo do bendito fruto.

Nascido em 24 de fevereiro de 1955, o Arcano da Vida desse pisciano foi a Roda da Fortuna, que ajuda a vislumbrar a rapidez com que criava e inovava. E também com que partiu dessa existência. A Unidade face à Diversidade. O eixo responsável pelo movimento. Agente imbatível de expansão e consolidação das ideias. Uma mente privilegiada ou um aplicativo sempre atualizado. Teve a seu favor, de acordo com a configuração da sua constelação tarológica, os quatro Ases e os quatro 10 dos Arcanos Menores. Viu brotar, ao lado das janelas de Bill Gates, as suas próprias sementes. E recentemente sofreu na pele o próprio fim. Triste. Mas nem por isso deve vir a ser martirizado, como todo bom ser humano costuma fazer tanto com quem morre cedo quanto com quem se destaca além do imaginado. Ou as duas coisas, neste caso.


Montagem disseminada pelos usuários do Facebook.

Não existe uma religião da maçã. Não e não. O high tech existiria normalmente sem Steve, que se foi tão cedo. Recebidos os devidos méritos, eu o mantenho próximo ao prestidigitador. O fruto evolui. E diante das críticas ao capitalismo violento, Jobs também tem seu pedestal reservado. É criticado e massacrado pela produção e necessidade que os golpes de marketing da marca desferem nos clientes quase que na mesma proporção em que é amado, reconhecido e divinizado devido à facilidade e à beleza dos seus inventos e à sua filosofia de vida, cujas frases bonitas pululam hoje pelo facebook. Par a par com os axiomas de Sócrates e de Da Vinci. Excelência no engajamento criativo. Mas endeusamento pra quem é morto já é um golpe baixo. Como se defender?

Bom é manter a atenção no que ele fez, ponto final. Quem passa imune? Não, nem mesmo você que nunca tocou num iPod. Olhos no palpável, com os devidos cuidados. Cada um faz o melhor que pode e alguns vão além. As maçãs não vão parar de brotar.




Think different,


L.

2 comentários:

Pietra disse...

Snif snif... Mas é fato q ele colocou mts instrumentos nas nossas mãos. Nas pontas dos dedos.

Anônimo disse...

Realmente ele tem seu mérito, mas temos de tomar cuidado com as atribuições. Este post descreve bem .... http://reciclagemdigital.blogspot.com/2011/10/o-endeusamento-de-steve-jobs-e.html