15 de março de 2013

CADA REPETIÇÃO É MUDANÇA




O tempo não está fora de nós, nem é algo que passa diante dos nossos olhos como os ponteiros do relógio: nós somos o tempo, não são os anos que passam, mas nós que passamos. O tempo possui uma direção, um sentido, porque ele é nós mesmos. O ritmo realiza uma operação contrária à de relógios e calendários: o tempo deixa de ser medida abstrata e volta a ser o que é: algo concreto e dotado de uma direção. Contínuo emanar, perpétuo ir além, o tempo é um permanente transcender-se. Sua essência é o “mais” — e a negação desse mais. O tempo afirma o sentido de um modo paradoxal: possui um sentido — o ir além, sempre fora de si – que não cessa de negar a si mesmo como sentido. Destrói-se e, ao se destruir, repete-se, mas cada repetição é uma mudança. 


Octavio Paz | O Arco e a Lira. 
Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht 
Cosac Naify, 2013.

2 comentários:

Patrícia (Portugal) disse...

Citando Jorge Luís Borges:

"O Tempo é a substância de que sou feito.
É um rio que me transporta, mas eu sou o rio.
É um tigre que me devora, mas eu sou o tigre.
É um fogo que me consome, mas eu sou o fogo."

sofy lefour disse...

Bravo por tu blog !! Y sobre todo, gracias por el contenido que es siempre un placer !!
Saludos
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