19 de março de 2011

RAINHAS DE ALMODÓVAR









Reveladas.
Teço noutra hora, chicos.

HÃ?!

O Tarot é surpreendente, sabemos.
Mas o que as pessoas escrevem sobre ele é sempre mais.


O TAROT: Herança dos Cátaros e de Maria Madalena

A minha curiosidade agradece.

14 de março de 2011

ARCANO VIGÉSIMO

As imagens valem mais que as palavras, às vezes.
Então vamos apostar um pouco nisso.



Vera, Alex, Nei e Gian,
obrigado pela companhia, pela amizade, pela revolução de ideias em torno da nossa paixão.




Pedro, queridíssimo, obrigado pelas piadas, pela alegria da sua presença.
Ao Lívio, gratidão pela ajuda na aflição e pela amizade.
Ao Pellegrini, a minha admiração. Estou descobrindo que meu Oásis está bem aqui no meu peito. Obrigado, queridos.





Leiloca, uma delícia ver você soltando as feras, todas elas.




Alex, Ratnabali, Alex,
obrigado pela música que me faz rir e celebrar.



Iris, Mob, Vini, Nildo,
obrigado pela oportunidade de poder ser testemunha dessa conquista tão maravilhosa. Parabéns a vocês pela garra e pela esperança que faz Campina Grande vibrar com tanta emoção, comunhão e satisfação pessoal.

É um privilégio ter presenciado e construído esse evento porque acabo me sentindo parte da história dele. Um arcano de novas promessas, de um renascimento pessoal a cada ano.


Vista de Campina Grande capturada pelo grande Waldemar Falcão.
Saudade rimando felicidade, Mazinho!


Um viva à Nova Consciência.
Cada vez mais.

Amor,

Leo

19 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO [E ARCANO]





"...Um vasto conjunto de mitos, de tradições e de poemas celebra o cisne, ave imaculada, cuja brancura, cujo poder e cuja graça fazem uma viva epifania da luz. Há, todavia, duas alvuras, duas luzes: a do dia, solar e máscula; a da noite, lunar e feminina. Segundo o cisne encarne uma ou outra, seu símbolo inflete num sentido diferente. Se ele não se fragmenta e se quer assumir a síntese das duas, como é, por vezes, o caso, torna-se andrógino e, além disso, carregado de mistério sagrado. Finalmente, assim como existe um sol, e um cavalo negros, existe um cisne negro, não dessacralizado, mas carregado de um simbolismo oculto e invertido."

Chevalier e Gheerbrant são consultores para tarólogos no delicioso Dicionário de Símbolos. Delicioso é quando você lê críticas sobre determinado filme e acaba descobrindo que tudo não passa de um olhar espiritual e simbolicamente pobre de quem se preocupa com as indicações ao Oscar desse ano. CISNE NEGRO é o filme do momento. Li por aí que é um ritual mágico poderoso a ponto de livrar o espectador de todas as teorias furadas que levam a uma reflexão pessoal intensa. E válida, que é o mais importante. E é. Dá medo. Inspira o reconhecimento do inimigo interno, se querem bem saber. Aronofsky acertou em cheio.

Já assistiu? Prossiga. Não? Pare por aqui, se quiser.
Deslizo as considerações iniciais de uma discussão que ensaio agora.

Três arcanos pontuam, até o momento, o meu palco analógico. Nina confronta-se, é fato. A sombra furtando a cena. Dançam as penugens. Dita-se o DIABO nas instruções do mestre: o estímulo tonificado pela sensualidade. "Lição de casa: masturbe-se um pouco", permita-se o demônio da técnica. Nada tenso; tudo puramente sentido. Dentro. A legião oferta a noite à bailarina. Todo o tempo. A cor do cisne no lago revela a LUA. E é ali, no espelho, que a ferida é dúbia: quem, senão ela? A esquizofrenia impera nos detalhes. Lindamente. The little girl.

O balé de sangue é a poesia limítrofe ao corpo. Lá vem a sweet mom sapatilhar a incapacidade de Nina aguentar a pressão do Mundo... Até parece. É dela é que vem a perfeição. O MUNDO é da dançarina. É a dança. Completa em todo o seu esforço em ser ela mesma, de alguma forma entre o delicado e o selvagem. E superar-se, sentir a plenitude do perfeito, exige a morte. Mas seguida da luz dos aplausos.



Se você chegou até aqui e não viu o filme, tudo bem. Não deve ter entendido muita coisa. Se você chegou até aqui e viu, o que entendeu? A ideia é essa. A postagem é provisória. O lance é degustar o filme até surtir novos insights e captar aquela miríade de Menores ao longo das tomadas. Vamos lá.

Comente aqui no CAFÉ TAROT e também no Fórum LEITURA DE IMAGENS do Clube do Tarô, clicando aqui.




P.S: Valeu, Gi.
Ideias poderosas.


12 de fevereiro de 2011

A ARTE DE MANEJAR COLUNAS E LEÕES


The Force - Waite-Smith Tarot

Não existe arcano melhor ou pior, nem mais fraco ou mais forte. Existe o poder de cada um que nos toca de acordo com a nossa leitura de mundo. Com a nossa poesia pessoal. Tenho descoberto n´A Força uma grande aliada para solucionar problemas, sabe? Uma espécie de feiticeira que coloco em prática mentalmente. Dependendo do humor do leão, o olhar dela furta toda a atenção e joga o encantamento. Aí está feito. As mãos hábeis na mandíbula, as pupilas no alvo. Eis o controle. Coragem, palavra de ordem aqui.
La Force - Gringonneur
Outro dia, ao telefone com meu amigo Nei Naiff, conversamos sobre o que há de obrigatório para se ver sobre Tarot em Paris, já me programando pra viagem. Anotadas as dicas, me peguei questionando qual era mesmo aquele baralho em que O Louco é gigante e faz malabares e que a Força não tem leão, mas uma coluna – representação de uma das Virtudes cardeais, sempre presentes. Aquele que a LoScarabeo lançou com o nome de Tarot of the Renaissance, com bordas douradas e frufrus. Charles VI, outro nome famoso dele. “É o Gringonneur!”, bradou o Nei, “é o que chamam de Gringonneur”, e tudo me veio à mente. Passada a amnésia, fiquei com a A Força na cabeça. A coluna havia se quebrado há alguns dias, mais precisamente na minha resistência, quando passei por umas experiências nada agradáveis com mudança de casa e trâmites de fim de contrato. O arcano da vez, saquei, era mesmo A Força, exigindo de mim uma posição física e mental voltada totalmente para a ação. Mesmo com a gripe [a exemplar reação ao medo da mudança, segundo os metafísicos da saúde] mais forte que já peguei, temperada com nervosismo e uma longa viagem até a cidade em que eu estudo, comecei a mudança de casa e a mentalização da carta – plasmando na minha mente o sorriso indiferente da dama diante dos meros detalhes do cotidiano e assimilando toda a destreza necessária para concluir os compromissos sem tanta alterações de humor – e de saúde, né? Mimetizar o esforço da domadora, curvar-se para arrastar móveis e carregar livros a coluna da vez – para tomar consciência do meu corpo e do meu estado mental diante dos problemas e também das novidades. Uau, espelhar as lâminas é uma técnica mágica. O feitiço possível da imagem.
Tarocchi di Mantgna - FORTEZA XXXVI
Hoje, uma semana depois, sarei dos olhos vermelhos e da coriza: aceitei a minha vulnerabilidade. Percebi, compreendi e imitei internamente a serenidade que existe nos olhos daquela feiticeira de leões; a firmeza dos olhos tranqüilos daquela dama de véu negro, ciente de que o peso do pilar depende do quanto ela acredita que pode agüentar. Entendi que acreditar somente no que desejamos ou tememos não é muito saudável. O que vale é penetrar no caos e mostrar as garras. Assim resolvi todas as burrocracias junto de pessoas queridas e já não penso “ah, tá louco, não quero nunca mais passar por isso”, mas sim “ótimo, eu consegui. Agora extraio sabedoria dessa situação para enfrentá-la com toda a coragem se algo parecido ou pior me acontecer”. Aprendi a ter segurança diante da incerteza e do improvável. Enaltecer sincera e coerentemente a magia pessoal é opção e responsabilidade cada um. Por isso o trabalho com o arcano felino já faço há anos, mas sob a égide da virtude começo agora. Em mãos o meu Tarocchi di Mantegna.

Um beijo corajoso aí,
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L.
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P.S.: Nei, vi o link do Renaissance da Lo Scarabeo que você mandou, mas eu queria mesmo é uma réplica do original. Nada bobo eu, né?
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IMAGENS | galerias do Clube do Tarô. Aliás, clique aqui e saiba mais sobre o Gringonneur que não é o Gringonneur.

4 de fevereiro de 2011

TRABALHANDO COM O JULGAMENTO




Há alguns dias recebi um e-mail bastante verdadeiro de uma leitora.
Clara* é mãe de dois filhos, trabalha e não tem marido. Comentou do contato com o Tarot e com a Astrologia que mantém há 20 anos, do jogo de cintura para dar conta do trabalho e da doença do filho e ainda da dificuldade em se abrir para um novo romance, uma nova empreitada pessoal. Para entender melhor o momento, Clara escolheu um arcano. Veio O JULGAMENTO. Alegou que não tinha encontrado muita coisa aqui no Café e me pediu algumas palavras para meditar um pouco.

Pois bem. O Julgamento. Desde 2005 tenho desenvolvido uma prática bastante eficaz para o treinamento da intuição: O TRABALHO COM O ARCANO, ou DIÁLOGO COM O ARCANO. Nesses seis anos pude vislumbrar a pluridimensionalidade de cada um por meio da conversação e da meditação, ouvindo as vozes e as mensagens tão certeiras e precisas. Mas sempre, claro, com os pés no chão. Sem nenhum tipo de devaneio esquisotérico que me jogue longe da coerência simbólica e pessoal. Aliás, incoerência é o que tenho visto por aí com a maioria dos interessados no assunto se mostrando verdadeiros consumistas de baralhos bonitinhos e diferentes, abarrotando as redes sociais com informações vazias e achismos sobre o que um arcano faz ou deixa de fazer. Mas isso é outro assunto.

Surgite ad judicium. É prudente trazer o arcano pra você, Clara. Mesmo já respondido o seu e-mail, fiquei pensando que a sua experiência com o Tarot poderia lhe ajudar a entender melhor o que este arcano escolhido exige de você e também o que ele lhe oferece. Primeiro, analise a imagem. Para "abri-la", é preciso familiarizar-se com ela. O trabalho começa quando você se dispõe a lê-la, a ouvi-la. Como um livro repleto de figuras, em que a narrativa está plasmada nas cores e formas. Pense num arcano isolado como uma página crucial para o entendimento do livro.

O que vem primeiro à mente? A imagem fala, o que você ouve?

Intuitive Tarot, Cilla Conway.

O Renovador, o Renascimento, o Juízo... Anote tudo o que a figura está mostrando e parta depois para o que você sente, que é um passo da interpretação. Ela exige, num primeiro momento, uma postura emocional ainda mais forte e confiante de que tudo pode ser extremamente positivo e diferente daqui pra frente. Você acredita em você? Então está na hora de reconhecer e respeitar a sua intuição. Respire fundo sempre que tiver alguma folga. Sinta o seu corpo. Sinta o seu coração batendo. Atitudes simples como essas lhe ajudam a redefinir contato com você mesma. Sem esse contato, sem aceitar a si mesma, incondicionalmente, nada funciona bem. Reconheça o seu corpo, aceite o amor e abrace as novidades. Unir o Céu e a Terra: um equilíbrio possível entre adversidade e descanso, prazer e esforço. É o que O Julgamento lhe traz de início.

O TRABALHO COM UM ARCANO é uma técnica poderosíssima de diálogo, de interação e sobretudo de humildade diante dos arcanos como mestres. Lá na
Revista tenho mostrado a intrínseca relação entre a imagem e o leitor, que somos nós - tarólogos ou consulentes. É importante também, durante uma consulta, deixar que a pessoa veja e/ou toque as cartas escolhidas, mesmo se não tiver nenhum conhecimento do assunto e estiver interessada apenas nos resultados. É difícil tentar definir a variedade de efeitos que uma imagem pode surtir no inconsciente humano, mas o contato é sempre necessário. É assim que podemos perceber nossas próprias fábulas e nossas alegorias mais secretas sobre nós mesmos. A sabedoria e a bem-aventurança vêm daí.



Sei que a mensagem foi positiva para você, Clara. Continue com ela. Um arcano é inesgotável, como a vida em todas as suas páginas. Com o maior respeito e gratidão, desejo que o seu caminho seja repleto de significado e verdade.

Leo



__________________________
* Nome fictício.

2 de fevereiro de 2011

ODOYÁ, MINHA MÃE




A todas as suas faces, mistérios, trunfos e bênçãos.
Que a tua magia seja sempre a água das palavras e dos gestos de amor.
Sempre grato, sempre seu,

L.

26 de dezembro de 2010

ARCANO DO ANO



Despe-te das palavras e te aquece.
Toma nas mãos esses odres de terra.
E como quem passeia, leva-os ao mar.
Se tudo te foi dado em abundância
O sal e a água de uma maré cheia
Eu te darei também a temperança.

Deita-te depois e vibra tua garganta
Como se fosse um início de um cantar.
Não cantes todavia.
Aqui, zona de tato e calor, margem do ser
Larga periferia, olha teu corpo de carne
Tua medida de amor, o que amaste em verdade.
O que foi síncope.
Todavia não cantes na perplexidade.


HILDA HILST
Memória | Trajetória Poética do Ser (I)



NOTA
Desculpem a poesia jorrando. Confesso que a falta de tempo tem posto o blog de lado, mas não no meu pensamento. E nem as palavras que tenho trazido faltem com a profundidade. Viajando mentalmente por todo o meu 2010, as palavras, os lugares e as pessoas precisam ser estudadas empiricamente, como na feitura de uma obra. A TEMPERANÇA vem pra isso. É meu arcano pessoal e devo a ele ainda mais trabalho. Os resultados vocês veem por aí, nas letras e nas imagens. E continuo por aqui temperando - com a licença do trocadilho - as cartas com seriedade, inovação e poesia, que é justamente o alimento primordial dos arcanos.



Obrigado pela companhia e pela amizade.

Leo

27 de novembro de 2010

QUE ASSIM SEJA



CARTOMANCIA: "... as combinações são infinitas e a profissão é vasta e proveitosa".

Luís da Câmara Cascudo, em seu delicioso DICIONÁRIO DE FOLCLORE BRASILEIRO. Como é bom descobrir verdades tão simples e tão fortes vindas de gente sabida como o nosso maior folclorista.



Axé!

12 de novembro de 2010

LEIAMOS MAIS


Cortador de Waite-Smith


O AÇÚCAR

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

Ferreira Gullar

Dentro da Noite Veloz (1962-1975)



Reflitamos, pensemos mais - livros, poemas e imagens.
Os arcanos se alimentam de cultura. Da nossa, interior. Esforço é preciso.

POR MENOS teorias vazias em nome do Tarô.

Ele agradece. Tenho certeza.

21 de outubro de 2010

TARÔ & POESIA



IX

Uma mulher suspensa entre as linhas e os dentes.
Antiqüíssima ave, marionete de penas
As asas que pensou lhe foram arrancadas.
Lavado de luzes, um deus me movimenta.
Indiferente. Bufo.



Hilda Hilst, VIA VAZIA

15 de outubro de 2010

CEM ARCANOS DE GARCÍA MÁRQUEZ


Capa da 27ª edição, Editora Record.


"─ Caralho! – gritou Úrsula. Amaranta, que começava a pôr a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião. ─ Onde está? – perguntou alarmada. ─ O quê? ─ O animal! – esclareceu Amaranta. Úrsula pôs o dedo no coração. ...─ Aqui – disse."

Nessa onda hispano-política que vem tomando conta de mim, percebo que ando cada vez mais afinado em algumas leituras — não, não só para as de Tarô. Uma inquebrável sintonia, uma atenção autêntica e um sentimento de irmandade com os autores que vão chegando. Me lembro bem do dia em que descobri a vigésima sétima edição do romance CEM ANOS DE SOLIDÃO, do colombiano Gabriel García Márquez.


García Márquez, rei absoluto do Realismo Mágico latino.

Havia um exemplar todo empoeirado na prateleira, com preço exorbitante em algum sebo da Sé. Era caro, mesmo pra um sucesso mundial. Mas relevante pra mim porque a capa trazia dois arcanos marselheses e uma mão cravejada de símbolos esotéricos. Não julgo livro pela capa, mas quando ela chama a sua atenção, pode crer, algo desperta sua atenção para a leitura. Pois bem, anos se passaram. Passeando pela Estante Virtual, o paraíso dos ratos de sebo e consumidores compulsórios de livros [como quem vos escreve sempre aqui], encontrei a mesma edição em ótimo estado de conservação e por um preço que me fez sorrir de tão baixo. Chegou a hora.


Carybé, que dá ainda mais vida aos Cem Anos.

Quando recebi o meu exemplar, que surpresa. As ilustrações não eram meras cópias da Roda e do Diabo. Eram desenhos de Carybé, artista plástico argentino radicado na Bahia, também ilustrador de alguns romances de Jorge Amado e muito amigo do excelente fotógrafo Pierre Verger. Os três que desenharam, escreveram e retrataram a Bahia da mesma forma que Gabo plantou as sementes do fantástico nos domínios latinos e além.


As gravuras não me deixaram mais em paz quando comecei a leitura. E também começou, confesso assustado, o verdadeiro fascínio por um livro. O imensurável encanto por uma narrativa. Um choque por ler exatamente tudo o que sempre quis ler. E tem sido extremamente gratificante perceber que a hora do romance chegou. Seria meu em algum momento, hoje sei disso. E o prazer de ler um clássico tão discutido, tão falado mesmo entre aqueles que pouco ou nada entendem de literatura, fisgou toda a minha atenção. O seu poder ultrapassa a genialidade narrativa e configura um espelho da política latino-americana. Clássico porque relido no mundo todo, há décadas. Relido porque necessário.



Contracapa.

Grandes surpresas a cada página, a cada associação que faço entre o baralho e os personagens. Melquíades, o cigano e bruxo de Macondo é nitidamente O Mago, arrastando seus lingotes metálicos por entre as ruas para descobrir tesouros enterrados na terra. Envelhece rapidamente, morre e reaparece, confirmando a imponência literária de García Márquez na descrição dessas passagens e na magia que corre nas veias cotidianas da cidade e da numerosa família Buendía, protagonista da saga.


Melquíades, O MAGO.
Conhece aquele papo de que o livro certo aparece na hora certa? Já parou pra pensar que com o tarô é a mesma coisa? Um arcano, por mais indesejado, não é escolhido à toa do leque aberto.

E recomendar um livro pela capa? Bom, nesse caso sou suspeitíssimo pra falar.
Ainda mais agora, né? Fica a dica. Mas se você não se sentir à vontade com a ideia, respeite isso.
Tudo tem a sua hora. Se você leu e não gostou, deixo o convite para uma releitura mais atenta, do jeito que você lê o Tarô.


Bom, paro por aqui. E continuo em Macondo.
Boas leituras.


30 de setembro de 2010

E SE A RAINHA DE ESPADAS FALASSE...


Rainha de Espadas - Tarô Café Tarot

Tenho um escudo contra o meu ventre. E sob este escudo há uma cicatriz. Talvez eu tenha sacrificado as minhas vísceras? Não me deixo levar por necessidades, por desejos ou por emoções. Vivo na minha mente. Espero aqui um ser que reconheça a minha inteligência, a minha mente. A transcendência é o meu ideal. Fora da carne, fora da matéria, através do estado andrógino é que poderei ultrapassar as ciladas do pensamento para alcançar aquele centro impessoal que é a Consciência cósmica. Conseguirei tal feito? Conseguirei esquecer de mim mesma? Sou a minha inimiga. A minha única sabedoria é a sabedoria da impermanência. A minha única realização seria a realização da vacuidade.


Alejandro Jodorowsky | LA VIA DEI TAROCCHI

23 de setembro de 2010

E SE O PENDURADO FALASSE...



Me encontro nessa posição porque quero. Fui eu quem cortou os ramos. Eu libertei as minhas mãos do desejo de agarrar, de me apropriar das coisas, de retê-las. Sem abandonar o mundo, eu me retiro. Comigo você pode encontrar a vontade de entrar na condição em que não existe mais a vontade. O estado em que as palavras, as emoções, as relações, os desejos e as necessidades não importam mais. Para desligar-me, eu cortei todos os galhos, exceto o que me conecta à Consciência.

Jodorowsky LA VIA DEI TAROCCHI

8 de setembro de 2010

ARCANOS SURREAIS


Os arcanos de Dalí sobre Festa, colagem de 2008.
(clique neles para ampliar)

Olha, não visitei a Espanha nesse período europeu. Não deu, mierda. Penso que foi exatamente por isso que o espírito El Mago baixou em mim assim que pus as mãos no Tarot Universal de Dalí. Então veio Caetano sussurrando as finas estampas (e não é que eu gostei?), o Romancero Gitano ressurgiu na estante depois de algum tempinho esquecido (desculpa, Lorca), um Labirinto do Fauno numa estante de DVDs usados de um sebo paulista me assediou até ser comprado e um do Almodóvar (só podia ser), aqui em casa, caiu na minha cabeça: hisPÂNICO total, caballeros.

Por isso, eu já venho. Tô trabalhando, estudando e temperando um testemunho/análise/manifesto sobre esse mais que tarotque El Loco recortou e pintou e colou. Beleza pura.

Suerte,

L.

31 de agosto de 2010

DE VOLTA AO BRASIL



Estou de volta há algum tempo e só agora eu venho avisar. Perdão, perdão.
Os estudos na Itália acabaram e depois de muito passeio a rotina (isso existe?) passa a se firmar novamente. Por isso vou revelando aos poucos as novidades e trazendo questões pertinentes ao estudo e à leitura das nossas imagens. Tudo regado a café, claro.

Um abraço a cada um de vocês que me acompanham.
Gratidão,

Leo